Eu sou uma pessoa introvertida. O que não é o mesmo que ser tímida.
Quando é necessário falar com estranhos e fazer a social eu até desempenho bem a função. Claro que não é o mesmo que uma pessoa extrovertida, mas pelo menos não fico sentada sozinha no canto em uma festa. Só fico bem próxima a saída mesmo.
Embora eu não desgoste dessas interações, o custo é grande. Eu me canso das pessoas, eu quero ficar sozinha, eu quero silêncio, eu quero não ter que falar nada. Nada que um dia solitário não cure. E dias solitários são os mais comuns na minha rotina.
Uma das partes ruins em ser introvertida é que a gente sempre acha que fazer perguntas pessoais é invasivo, mas a maioria das pessoas não se importa em responder e considera isso um sinal de atenção e interesse. A gente quer usar aquela regrinha de ouro que é não fazer aos outros o que não queremos que seja feito conosco, mas como quase tudo nessa vida, nada é preto no branco, tudo cai no cinza e essa regra é furada.
Para nós é um tanto incômodo fornecer informações que não têm a menor importância para outras pessoas. Acho que importante não é a palavra correta, talvez seja funcionalidade. Falando assim parece que só queremos falar sobre o útil e o necessário, mas não é isso. O caminho para nós é que saber sobre a mãe doente ou sobre a viagem de férias é uma informação que deveria ser fornecida de livre e espontânea vontade. Se alguém quiser falar eu escuto com interesse, caso contrário não vou perguntar.
Esclarecendo que isso vale para estranhos, conhecidos e colegas, se for um amigo é muito provável que eu solicite essas informações com o máximo de interesse. A palavra chave nisso é intimidade. Ela é quem determina a curiosidade/interesse.
Estou falando tudo isso só porque eventualmente vejo essas pessoas simpáticas e falantes e que não se acanham em fazer perguntas e observações pessoais aos outros. Uma coisa que eu nunca faria. Fiquei imaginando o quanto as pessoas respondem apenas por educação ou porque ficam constrangidas em soltar um “não é da sua conta”, afinal, é só uma pessoa simpática, fazendo perguntas educadamente e não é informação confidencial.
Ainda bem que eu trabalho em frente a um computador e não tenho que forçar essas interações. Eu seria um fiasco.

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